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o desconforto nos leva a caminhar

Quantas vezes pensamos em começar algo mas sempre deixamos pra depois? Por não saber como começar, por achar que não estamos prontos e mil e outros motivos que a nossa mente inventa. Por trás de toda invenção existe uma realidade por trás. Porém, o que realmente queremos e PODEMOS fazer, fazemos. 

Posso dizer que quero falar um idioma, mas, se realmente não me dedico a isso, é apenas um desejo como tantos outros. Afinal, quem não quer ter diversas habilidades e experiências? No campo das ideias, tudo é alcançável. Porém, é no campo da ação que se manifestam os nossos desejos genuínos. E quando estamos prontos para eles.

Como agora... Sentei no computador, abri essa página, já tinha um cadastro e estou aqui, simplesmente digitando, de forma menos perfeccionista possível e infinitamente menos do que já foi um dia. Não estou pensando nas palavras, num roteiro, estou apenas escrevendo o que vem na minha mente.

É resultado de um ano escrevendo sobre as minhas emoções e pensamentos num caderno durante momentos cruciais para depois compreender melhor a minha mente. Escrita terapêutica. É também resultado de ter construído uma casa, e, no decorrer das obras, ter aprendido a aceitar mais o resultado das coisas como elas são. 

Durante a construção de uma casa, não há tempo para o perfeccionismo procrastinar. Você precisa tomar decisões, aceitar resultados diferentes do projetado e, muitas vezes, usar a criatividade para transformar problemas em um tipo de decoração. É preciso acolher, porque ninguém constrói nada grande sozinho e ninguém vai fazer tudo como você imaginou. No final, não é que o resultado é maravilhoso ainda que seja diferente?

Agora a minha mente pensou e interrompeu o fluxo do texto. Travei. Faz parte. Por isso é preciso aprender a confiar. A lição mais difícil que há. 

Hoje eu li e compartilhei no Instagram uma frase que dizia assim: não conseguir o que você quer, também te direciona pra onde você precisa estar. E, de alguma forma, isso se conecta com o que venho pensando durante essa semana sobre sair da zona de conforto.

Não tenho do que reclamar. Tenho uma vida boa, estou numa viagem de carro com meu namorado, minha cachorrinha e meu notebook. Mas, estar longe de casa, ao mesmo tempo que abre espaço para o novo, para olhar o antigo de uma forma diferente, mexe com as minhas estruturas, porque estou fora do controle. Porque preciso administrar algumas coisas de outra forma, contando com outras pessoas, aceitando as consequências disso.

Li no Instagram mais uma frase: você não tem que sair da zona de conforto, tem que sair da zona de costume. Um bom ponto de vista. Sair do previsível, do conhecido, alternando entre o conforto e desconforto nos leva a transformações. 

Zona de conforto é uma zona de passagem. Não é para ficar sempre ali nem nunca estar. Entrar e sair da zona de conforto representa as dualidades da vida que nos convida a despertar a gratidão diante dos nossos estados. Triste e alegre, doente e saudável, cansado e descansado. Transitando pelos estados, aprendemos sobre o valor de estar confortável. 

O conforto é para onde queremos ir e estar. O desconforto também nos impulsiona a caminhar.

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